Dietas de rápido emagrecimento realmente funcionam?

Será que o famoso projeto verão, com dietas restritivas para emagrecer rápido, funciona mesmo? Fui até o Programa Charme da TV Galega conversar sobre isso! Confira a entrevista:

Apresentadora:
A gente está no verão e, quando chega nesta época do ano, as pessoas procuram desesperadamente perder os quilinhos. Este ano tivemos um agravante que foi o isolamento social e a quarentena. Então, praticamente todo mundo extrapolou um pouco na alimentação e acabou engordando.
Doutora, o que é possível fazer agora?

Dra. Laira:
Assim, em cima da hora, é bem importante lembrar que essas dietas malucas que dizem “Emagreça 10 quilos em 10 dias”, por exemplo, estão enganando. Isso não existe. Porque quando você emagrece muito rápido, você não perde massa gordurosa, perde massa muscular. Então, a pessoa fica passando fome e privação e acha que emagreceu. Começa a comer de novo e engorda mais do que antes de começar a dieta, porque ela acabou ficando com a massa gordurosa.
Por isso, é bem importante a pessoa saber que emagrecer é diferente de perder peso.
Por exemplo: eu subo na balança e perdi peso. A balança não vai dizer se perdeu massa muscular ou massa gordurosa. Ela simplesmente vai dizer que perdeu peso.

Apresentadora:
Pode até ser água, né?

Dra. Laira:
Isso!
Se você parar de malhar, por exemplo, você perde peso na balança, mas isso não quer dizer que você emagreceu.
Porque o emagrecer é diferente. A massa muscular é mais pesada que a massa gordurosa.
Por isso, às vezes, a pessoa que malha está pesando o mesmo que uma pessoa gordinha, só que o corpo dela está bem definido. Então tem diferença!

Apresentadora:
Músculo, né?

Dra. Laira:
É, o músculo pesa mais.

Apresentadora:
Então, qual a sua recomendação como nutróloga para quem está acima do peso e, em cima da hora, quer emagrecer. O que a gente pode fazer de maneira equilibrada e saudável para tentar, pelo menos, chegar no Natal um pouquinho mais magra?

Dra. Laira:
Tem algumas dicas que podem auxiliar bastante. Primeiro, aquela coisa básica: exercício físico. Isso tem que ser feito, não adianta fugir. Outra dica: ingerir bastante água, que é importante para ativar o metabolismo.
O engordar varia muito de pessoa para pessoa.
Tem pessoas, por exemplo, que engordam porque comem muito. Outras comem porque têm fome. Ou são ansiosas. Outras comem alimentos errados e inflamam o corpo.
Então, uma sugestão é evitar alimentos muito industrializados, que retêm líquidos e incham, e tentar uma alimentação mais saudável. Isso ajuda a desinflamar o corpo.
Existem alimentos que também ajudam na desinflamação.

Apresentadora:
Quais seriam esses alimentos, doutora?

Dra. Laira:
São alimentos que você encontra no dia a dia: canela; gengibre; alho, que também é super bom pra saúde; chá verde, que ajuda também a desintoxicar; suco verde, que são perfeitos para essa época de calor.
O suco verde é usado para substituir uma refeição. Pode ser no café da manhã, há pessoas que preferem no jantar... Mas que ele seja usado em uma substituição porque ele ajuda bastante a ativar o metabolismo por conta do gengibre, que acaba limpando o organismo e desintoxicando.
O gengibre ajuda a desintoxicar, é antiviral, melhora a imunidade. Só a pessoa que tem pressão alta é que tem que ter cuidado com ele. Mas ele é excelente para a saúde.

Apresentadora:
E o chá verde? Também pode ser tomado todo dia?

Dra. Laira:
O chá verde também pode ser usado todo dia. Mas tem que entender que o chá verde tem cafeína. Por isso, tem que ter cuidado no horário que vai ser tomado.
Eu recomendo sempre assim: se você tem dificuldade com o sono, toma de manhã ou no começo da tarde. Agora, se você não tem dificuldade, pode tomar até umas 17h o chá verde.
Ele é excelente para ativar o metabolismo.
Tem vários chás que são bons, mas é sempre bom ler os rótulos. Porque, muitas vezes tem coisa ali escondida que a gente não sabe.

 Apresentadora:
Nesses chás prontos, né?

Dra. Laira:
Isso. Nesses chás prontos. Por isso, é preciso ter muito cuidado com os chás. Existe muito chá bom. Qual eu indico? A folha.

Apresentadora:
Melhor pegar direto a folha da feira e fazer o chá naturalmente.

Dra. Laira:
Você nunca erra usando diretamente folha. É como aquela frase famosa fala: descascar mais, desembalar menos.

Apresentadora:
E são ingredientes e coisas fáceis de incorporar no dia a dia. Não é uma dieta muito longe da realidade. São alimentos fáceis de encontrar e de preparar.

Dra. Laira:
São alimentos do dia a dia e que não são caros. Porque as pessoas acham, às vezes, que modificar hábitos vai aumentar muito o valor. Mas depende do que ela consome.
Se ela consome só coisas prontas, aí o valor pode aumentar.
Mas pra quem já tem uma alimentação “normal”, não vai alterar muito no orçamento pra pessoa se manter saudável.

Apresentadora:
Em relação aos carboidratos e proteínas. Eles devem mesmo ser tirados?  A gente vê muito por aí que o carboidrato é o vilão das dietas. Ele é um vilão mesmo? Ou isso é um pouco de mito?

Dra. Laira:
Há um exagero nisso. O carboidrato é necessário para as funções do organismo porque ele se transforma em açúcar no nosso corpo. Ele é extremamente importante porque o corpo precisa de energia. O problema é a quantidade. É comum que as pessoas caiam no exagero com essas dietas malucas. Existem dietas low carb, por exemplo, que cortam tudo. E começam até a cortar frutas. Há pessoas que dizem que até o brócolis tem carboidrato. Vira uma loucura.
Então as pessoas abandonam as coisas saudáveis como frutas e começam a ingerir mais carnes e saladas. E o que acontece com o passar do tempo? Primeiro, não conseguem manter isso. Porque não tem como, não existe. E segundo: começam a buscar o açúcar, o doce: chocolate, bala... Porque o corpo está pedindo. Vamos dizer assim, o corpo está lá com o sinal vermelho gritando “eu preciso de carboidrato”. E o carboidrato “rápido” é o açúcar. Por isso, as pessoas vão direto pro açúcar. E vira uma confusão também.

Apresentadora:
O chocolatinho pode?

Dra. Laira:
Eu brinco com as minhas pacientes, dizendo que eu respeito muito a TPM, porque quem passa sabe. Por isso, eu digo assim: busque um chocolate que tenha mais chocolate e menos açúcar. Hoje em dia temos chocolate 60%, 70%, se você conseguir, 80%, que é excelente.
Quando você vai modificando seu paladar, ele vai se acostumando a menos açúcar e mais cacau. E aí você pode fazer uma substituição: comer um quadradinho tranquilamente sem aquele peso na consciência.
O problema, muitas vezes, não é o alimento, mas sim a quantidade. Eu falo assim: a diferença do veneno para o remédio é a quantidade. Por isso, o ideal é você saber comer, apreciar um bom alimento, sentir o sabor, sem querer ficar colocando tudo pra dentro. Porque aí já entra outro fator que influencia também: a ansiedade.
A pessoa tem que avaliar o motivo de ela estar buscando o alimento, até o açúcar às vezes. Pode ser uma maneira de se saciar, porque o açúcar libera hormônios de bem-estar.

Apresentadora:
Doutora, quando as pessoas estão em uma dieta, aqueles casos, por exemplo, de querer perder 3 quilos em uma semana. Aí começam a contar calorias: eu ingeri uma maçã, a maçã tem tantas calorias, etc. Esse negócio de contar calorias, de ter um limite de calorias para consumir diariamente. Isso tem um fundo correto? Ou isso é um mito também que devemos largar?

Dra. Laira:
Hoje em dia, a nutrologia não enxerga isso com bons olhos.
Qualquer coisa que você faz, seja low carb, contando caloria, dieta paleo, jejum intermitente... Coisas que você faça e que sejam muito extremas, que levam a pessoa a ficar pirada com aquilo, não são saudáveis e eu não recomendo.
O melhor, se você quer buscar uma alimentação saudável é saber comer, sem contar calorias, mas saber o que você deve comer e o que deve evitar. Porque nem tudo que tem caloria só engorda.
Existem muitos alimentos inflamatórios. A inflamação também engorda e isso ninguém fala.
As pessoas às vezes se preocupam em, por exemplo, tomar um refrigerante que não tem calorias, que é zero. Mas aquilo ali é tão cheio de coisas químicas, que inflamam e incham automaticamente.
Por isso, é bem importante saber diferenciar e ter em mente que não é só a caloria que engorda. Caloria em excesso engorda, mas a inflamação é muito pior. E a inflamação traz mais doenças.

Apresentadora:
Sobre jejum intermitente. Tem muitas pessoas fazendo isso agora. “Ah, vou ficar 14 horas sem comer”. Isso também não é saudável pro corpo?

Dra. Laira:
Existem médicos que defendem muito isso. Porque, quando fica longos períodos sem comer, você começa a fazer o que chamamos de dieta cetogênica, quando o corpo começa a absorver do próprio organismo porque não tem de onde tirar.
Tem estudos que mostram que ajuda a desintoxicar, inclusive o cérebro.  Eu não sou contra a nada que a pessoa faça, esteja fazendo bem e tenha estudos comprovados. Porém, temos que sempre cuidar com os excessos.  Quem faz uma dieta intermitente que começa com 12 horas, aumenta pra 14 horas e depois 24 horas... E aí já vira doença. Temos que ter muito cuidado com essas doenças associadas. Vemos bastante os pacientes deixando de comer.
Qualquer coisa que você foque muito no alimento é problema. O alimento não pode ser o foco da tua vida. O alimento é para te nutrir, mas ele não pode ser o foco da vida.
Quando você começa a focar muito só no alimento, a situação já não está boa.

Apresentadora:
Você faz sempre um plano de tratamento com as suas pacientes?

Dra. Laira:
Varia muito de paciente para paciente.
Eu vejo o perfil de cada paciente, porque eu gosto de trabalhar com a medicina integrativa. Então, eu vejo o paciente como um todo e, no caso de ele chegar com um sobrepeso, a gente vai investigar por que que ele tá engordando. Eu sempre faço exames para ver os hormônios, minerais... Isso é bem importante para achar a causa. Só que, às vezes, a causa pode ser a própria ansiedade, como a gente já tinha comentado.
Se um paciente é muito ansioso, se você não trata a ansiedade, ele não vai conseguir deixar de comer. Às vezes eles chegam assim pra mim: doutora, eu sei tudo o que posso e o que não posso comer. Mas eu não consigo. Por isso, tem que trabalhar o psicológico. Aí entra o trabalho psicológico associado.
Se o paciente é mais gordinho e realmente tem fome... É a minoria, mas existe, aqueles que realmente só têm fome, que querem comer porque têm fome. Aí é um outro trabalho, conforme o perfil da pessoa.
Há pacientes que não dormem... Que trabalham a noite inteira e não dormem. E isso inflama muito o corpo. Então, varia de perfil de cada pessoa, do metabolismo... É muito individual.

Apresentadora:
E o bom é que quando faz um plano de tratamento e faz essa investigação, também a pessoa consegue manter o peso, né?
Porque eu vejo assim: não é só uma questão de perder o peso. Mas, depois, de manter isso para a vida toda, né?

Dra. Laira:
Realmente o desafio é manter.
Por isso que sempre enfatizo a importância da reeducação alimentar. Porque quem que já não perdeu peso? Todo mundo já chegou a perder. Só que o problema é manter essa perda.
Esse que é o problema das dietas, elas não te ajudam a manter.
Se você faz uma reeducação, você consegue se manter. Essa que é a diferença.
Por isso que não indico fazer a dieta que a vizinha recebeu às vezes do médico. Ou tomar medicação como a sibutramina... Eu não sou a favor porque os efeitos psicológicos que ela gera são graves e ela maquia o problema, não resolve. Se você é ansioso, ela vai tirar a tua fome por um tempo, mas não vai resolver o problema. Depois que você largar vai começar tudo de novo. Por isso tem que ter muito cuidado.

Apresentadora:
Mas ainda dá tempo, não é doutora? Sempre é possível.

Dra. Laira:
Dá sim! Sempre é possível. Não estou dizendo que não é possível. Claro que é!
E eu vejo pacientes que perdem peso e me surpreendem com o resultado.
Eu faço muito nessa época agora o detox, um plano detox de uma semana. Mais de uma semana não faço, pela perda de massa muscular. 

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