O acompanhamento nutrológico e seus benefícios para autistas

Hoje, no Brasil, são quase 500 mil pessoas com autismo. A síndrome ainda não tem uma causa definida e, por isso, ainda está sendo amplamente estudada, mas, o que se pode afirmar é que ela gera um desequilíbrio neurológico que afeta, principalmente, a interação/comunicação social do paciente.

Só essa alteração já poderia ser um sinal de alerta da importância do acompanhamento nutricional dessa condição: afinal, pela resistência ao convívio social, é comum que esses pacientes pratiquem menos atividades físicas e não tenham hábitos alimentares tão adequados.

Mas não é só isso: muito tem se pesquisado sobre as alterações que a doença causa também no intestino e no sistema digestório.

Quem convive com autistas sabe que eles comumente sofrem com constipação, diarreia, gases, inchaço abdominal e outros sintomas gástricos. A causa pode estar ligada a uma disfunção enzimática encontrada nesses pacientes, que não conseguem digerir proteínas como o glúten (presente na farinha) e a caseína (presente no leite). Esse problema pode, inclusive, dificultar ainda mais a sociabilidade do paciente. As enzimas do glúten, por exemplo, podem chegar ao cérebro e influenciar a comunicação entre os neurônios. Ao retirá-la da alimentação, o autista pode ter melhora na coordenação motora, comunicação, linguagem e atenção. E a mesma coisa acontece com a retirada do leite e seus derivados.

São vários estudos que já demonstraram esta ligação entre o autismo e má digestão do glúten e da caseína. Um dos estudos, feito na Dinamarca, testou servir alimentos sem glúten e caseína para crianças autistas. O resultado foi que, entre 8 a 12 meses após o início da pesquisa, os pacientes tiveram melhoras comportamentais significativas.

Mas é importante pontuar algumas coisas antes de implementar esse tipo de dieta restritiva:

- Esse é um tipo de tratamento que AMENIZA os sintomas, o que não significa que a dieta "curará" o autismo.

- A mudança que a alimentação causa é gradual e pode levar meses até uma diferença comportamental ser percebida.

- Nunca se deve aplicar nenhuma dieta restritiva sem o acompanhamento de um nutrólogo para guiar e fornecer possíveis suplementos alimentares (que serão precisos, principalmente para a vitamina B6 e o magnésio, além da possível necessidade de outros nutrientes, como o cálcio).

- Nem sempre a dieta restritiva de glúten e caseína é indicada. Por isso, cada caso deve ser avaliado por um nutrólogo que saberá se a intervenção dietética é válida, e como fazer.

Dra. Laira Metzen
Médica
Pós-graduada em nutrologia
CRM - 23556
http://www.lairametzen.com.br/


Fontes:

https://www.tuasaude.com/alimentacao-para-autismo/

https://www.conquistesuavida.com.br/noticia/alimentacao-e-autismo-bons-habitos-alimentares-ajudam-no-tratamento-veja-como_a4160/1

https://super.abril.com.br/saude/a-polemica-do-gluten/

http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2016/anais/arquivos/RE_1176_1333_01.pdf

https://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/cadernossaude/article/view/2425

https://assets.unitpac.com.br/arquivos/revista/51/1.pdf

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