Estimulação Magnética Transcraniana pode ser aplicada em adolescentes?

A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) é uma técnica não invasiva que utiliza pulsos eletromagnéticos para modular a atividade cerebral. Em adultos, já é reconhecida em diversos países como opção terapêutica adjuvante.
Em adolescentes, as evidências são emergentes. Um ensaio clínico randomizado publicado no Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (Croarkin et al., 2021) avaliou a EMT repetitiva (EMTr) aplicada ao córtex pré-frontal dorsolateral em jovens com depressão resistente. Os resultados mostraram melhora nos sintomas depressivos em parte da amostra, mas ainda não são conclusivos para definir a técnica como tratamento estabelecido.
A depressão maior em adolescentes afeta aproximadamente 2–4% dessa população, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), o que reforça a relevância de novas alternativas terapêuticas.
Além da depressão, a EMT vem sendo explorada em condições como transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e transtorno do espectro autista (TEA). Estudos piloto sugerem possíveis benefícios em atenção e regulação comportamental, mas essas investigações ainda são preliminares, com amostras pequenas e sem comprovação de eficácia clínica (Gómez et al., 2017; Oberman et al., 2016).
No aspecto da segurança, uma revisão sistemática publicada no Brain Stimulation (Zewdie et al., 2020) concluiu que a EMT em crianças e adolescentes é geralmente bem tolerada, com efeitos adversos leves e transitórios, como desconforto no couro cabeludo e cefaleia. Eventos graves, como crises epilépticas, são raros, mas descritos, o que reforça a importância da supervisão médica especializada, da seleção criteriosa dos pacientes e do uso de protocolos adaptados à idade.
Portanto, a EMT em adolescentes deve ser entendida como uma estratégia em investigação, que pode ser considerada apenas em contextos específicos e refratários, dentro de protocolos éticos, com consentimento informado e acompanhamento multiprofissional.
Referências
Croarkin, P. E., Wall, C. A., Lee, J., et al. (2021). Repetitive Transcranial Magnetic Stimulation for Adolescent Major Depressive Disorder: A Randomized Controlled Trial. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 60(5), 605–614. doi:10.1016/j.jaac.2020.07.895
Zewdie, E., Ciechanski, P., Kuo, H. C., et al. (2020). Safety and tolerability of transcranial magnetic stimulation in children and adolescents: A systematic review. Brain Stimulation, 13(3), 777–789. doi:10.1016/j.brs.2020.02.013
World Health Organization (2021). Adolescent mental health. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-mental-health
Gómez, L., Vidal, B., Morales, L., et al. (2017). Transcranial magnetic stimulation in children and adolescents with attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD). Psychiatry Research, 258, 527–533. doi:10.1016/j.psychres.2017.09.006
Oberman, L. M., Enticott, P. G., Casanova, M. F., et al. (2016). Transcranial magnetic stimulation in autism spectrum disorder: a pilot study. Journal of Autism and Developmental Disorders, 46(2), 467–481. doi:10.1007/s10803-015-2582-8
Dra. Laira Metzen
Médica
CRM – 23556
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